Entre Loucos

18 de fev de 2008













Após vários dias de catatonia, um dos pacientes do manicômio vira o rosto e diz:
“Bom dia, há muito tempo que está aí? Não percebi sua presença.”
“ Sim, Há muito tempo que estou aqui, mas isso não faz a menor diferença.”
“Também és louco?” Perguntou o primeiro.
“ Não mais. Já fui louco, mas agora sou são. Casei-me, trabalho, estudo, dirijo um carro, voto, invisto na bolsa, como gordura, faço guerras... coisas do tipo.”
“Eu entendo”. Disse o primeiro. “Pois eu sou o contrário de você. Eu era são e agora sou louco.”
“Pois então és mais feliz. Sempre achei o mundo mais interessante visto pelo ponto de vista da loucura.”
“Eu concordo. E tenho até uma teoria. A loucura é o estado máximo ao qual o ser humano pode chegar. Nós, loucos, somos o estágio mais avançado de evolução da humanidade.”
“Bem, se isso for verdade eu estou retrocedendo. Pois, como lhe disse, eu era louco mas agora sou lúcido.”
“Não se preocupe, isso não faz a menor diferença.” Respondeu o outro, apalpando os bolsos do uniforme como se estivesse procurando algo e fazendo um barulho de 'bip' com a boca. Colocou os dedos polegar e mindinho entre a orelha e a boca, simulando um telefone.
“Sim, meu amor. Tudo bem. No mesmo horário e no mesmo local. Te aguardo. Um beijo.”
Guardando o telefone imaginário, retomou o diálogo.
“Desculpe-me. Era minha namorada. Não sei se lhe disse mas... estou amando!”
“Eu sei como é. Como já sabe, também já fui louco.” Respondeu o outro.
“Marcamos um encontro para partirmos nossos corações. Sempre fazemos isso.” Disse o primeiro.
“Sim, eu me lembro...”
Então, o louco virou o rosto novamente para frente e retornou à sua catatonia.
Dois enfermeiros que observavam a cena comentavam.
“Pobre diabo! Está conversando sozinho novamente.”
“O que será que ele estava pensando?”
“ Ora, loucos não pensam. Nosso expediente acabou. O que pretende fazer?”
“Vou me encontrar com minha noiva. Não sei se lhe disse mas... estou amando! Estou até pensando em me casar, ter filhos, comprar um carro, alugar um apartamento... coisas do tipo.”
“Sinceramente,” respondeu o outro enfermeiro, “para mim isso não faz a menor diferença.”
E os dois saem.

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